sexta-feira, 29 de março de 2013

Visita a uma igreja cristã em um país muçulmano

Hoje sexta-feira santa, estive pela primeira vez em uma igreja católica em um país árabe muçulmano, e resolvi contar um pouco como foi.Primeiro que para chegarmos de carro na tal igreja, haviam algumas barreiras policiais para evitar a manifestações, já que em Bahrain ainda tem muito problema entre sunitas, xiitas e cristãos.Tivemos que encontrar outro caminho pois a rua principal da igreja estava trancada.Chegando lá pude observar pessoas de diferentes nacionalidades, indianos, paquistaneses, filipinos, líbaneses dentre outras etnias entrando na igreja.Pelo lado de fora não tinha muito a aparência de uma igreja, como normalmente vemos no Brasil, tinha um muro alto e um portão por onde entramos, na parte de traz era a igreja.
Entramos, procuramos  lugares para sentar, e iniciou-se a missa, a linguagem como eu já esperava, era o árabe, mas como eu tinha muita curiosidade de ver como era uma igreja aqui eu quis ir mesmo assim.Foram passados vídeos encenando a via sacra e a cada estação era cantado um louvor e uma oração que parecia ser o Pai Nosso.A igreja estava bem cheia e haviam pessoas do lado de fora também acompanhando a celebração.Consegui saciar a minha curiosidade de como tudo funcionava, e como não compreendia o que era dito tive tempo para observar a igreja com uma visão antropológica, vendo o comportamento das pessoas e como as coisas funcionavam, confesso que procurei entender o que era dito,  mas as únicas coisas que entendi foram as estações da via sacra.
Mas foi válido poder rezar um pouco e matar mais uma das minhas curiosidades.

sábado, 9 de março de 2013

Festa típica árabe, só para mulheres


Hoje vou relatar sobre uma festa de aniversário em que dancei na última sexta-feira, o evento foi no restaurante em que trabalho, as convidadas eram somente mulheres locais do golfo pérsico, conhecidas no mundo árabe como khaleeges. Foi uma experiência bem interessante e divertida! sempre ouvia falar que em casamentos, noivados , dentre outras comemorações de muçulmanos, as mulheres ficam separadas dos homens para poder ficar a vontade já que não podem mostrar seus cabelos e algumas até mesmo o rosto diante de outros homens.Ao chegar no restaurante já dava pra ouvir as mulheres animadas conversando, dançando e se divertido, é claro sem nenhuma bebida alcoólica pois não é permitido segundo a religião muçulmana, quando olhei para o palco onde fica o músico que trabalha junto comigo, estava ele e seu teclado atrás de um biombo para que ele não pudesse ver as mulheres ali presentes que estavam sem seus véus e algumas até sem a abaya (capa preta que colocam sobre a roupa), já achei inusitado só esse fato, ele teria que tocar sem me ver e eu sem ver ele.Quando o gerente veio falar comigo para me dizer quem era a aniversariante, as mulheres prontamente começaram a colocar seus véus por mais que ele tenha passado rapidamente sem nem olhar pra elas.Quando o músico anunciou meu nome a mulherada já começou a aplaudir e fazer o gritinho típico árabe (lilililili) então entrei, todas elas olhando atentamente e curiosas para ver a bailarina, já comecei indo entre as mesas tirando elas pra dançar, elas pegavam o véu que usam na cabeça e amarravam na cintura e vinham dançar comigo, queriam colocar as gorjetas na minha roupa, todas brincando e se divertindo, algumas tímidas para vir dançar , olhavam para os lados para se certificar que nem um homem estava ali. Quando eu me aproximava perto de alguma, elas beijavam a própria mão e faziam que passavam pelo meu corpo, do ventre em direção ao chão, como se estivesse me dando uma benção, pela minha dança e meu corpo, uma delas pegou uma maço de dinheiro jogou pra cima quando estava dançando em frente a ela, depois fez esse gesto da mão e passou perfume na própria mão e me ofereceu pra cheirar o perfume.
No final do show não consegui escapar sem tirar fotos com elas, uma senhora, mãe da aniversariante que brincou comigo, fazendo shimie de peito, o show inteiro, no final me pegou pela mão e não queria me soltar mais, queria bater fotos, fazer vídeos de mim dançando com ela, e ela falava somente árabe mas consegui explicar que eu era brasileira, agradecer ela pelo carinho e me retirar.Foi muito legal, sem dúvida uma experiência que jamais vou esquecer, um momento de muita descontração e alegria e uma oportunidade incrível de acessar mais um bocadinho da cultura deste povo tão contagiante.